O acordo determina, por exemplo, que produtos agrícolas como suco de laranja, frutas (melões, melancias, laranjas, limões, entre outras), café solúvel, peixes, crustáceos e óleos vegetais terão as tarifas eliminadas. Mas os exportadores brasileiros entrarão em um regime de cotas na venda de carnes bovina, suína e de aves, açúcar, etanol, arroz, ovos e mel. Mas não se sabe ainda detalhes dessas cotas.
Na produção industrial, por outro lado, o acordo prevê eliminação de tarifa de 100% dos produtos. A CNI explica que reduz, por exemplo, de 17% para zero as tarifas de importação de produtos brasileiros como calçados e aumenta a competitividade de bens industriais em setores como têxtil, químicos, autopeças, madeireiro e aeronáutico. De acordo com estudo da entidade, dos 1.101 produtos que o Brasil tem condições de exportar para a UE, 68% enfrentam tarifas de importação ou cotas.
Mas nem todos estão confortáveis em comemorar. Patrícia Gomes, diretora executiva de mercado externo da Associação Brasileira de Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), afirma que a entidade não foi convidada para participar da reunião que trataria da última rodada do acordo, como teria acontecido com representantes do setor agrícola. “Ainda não tenha muita informação, sempre foi uma negociação difícil para máquinas e equipamentos porque temos um déficit grande com a UE. Queremos saber quais as oportunidades e os riscos, que podem ser minimizados se houver uma agenda de competitividade para o setor”, afirma.
Stuenkel discorda dos críticos que alegam que o novo acordo pode dificultar a industrialização brasileira. Ele acredita que como os brasileiros conseguirão importar insumos mais baratos, tornando assim mais competitivos os produtos brasileiros. "Obviamente, é necessário cautela, mas em princípio, as novas regras vão trazer dinamismo e novas possibilidades para a economia brasileira. Para a inovação também será positivo. Hoje a falta de inovação no país esbarra na dificuldade de conseguir produtos que venham de fora em uma economia bastante protegida".
O acordo ainda terá que ser aprovado pelo Congresso Nacional no Brasil, nos outros países do Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai) e em votação no Parlamento Europeu.
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